TEXTOS DO 7º A DE CÔJA

Um salvamento “em cheio”

 

     Nos dias 15 e 16 de outubro, ocorreu um incêndio horrível no concelho de Arganil, atingindo as zonas de Côja, Esculca, Tisão, Casal de S. João, Anceriz e Vila Cova. Este incêndio fustigou, também, muitas outras zonas do nosso país.

    Quando o fogo chegou a Tisão, terra dos meus avós, eu e a minha mãe fomos ajudá-los a salvar a sua casa e a sua quinta, onde tinham 9 cabras.

    Enquanto os meus avós ficaram a tentar defender a casa das chamas, eu e a minha mãe fomos socorrer as cabras. Tirámo-las uma a uma e, quando as contámos, verificámos que faltava uma, a mais pequenina, que tinha nascido há cerca de duas semanas.

    Rapidamente, voltei a entrar no curral, que se estava a desmoronar cedendo à violência das chamas. As chamas uivavam e bailavam de um lado para o outro como se quisessem mostrar o seu poder e escarnecer da impotência dos humanos face a esse flagelo.

    Encolhida num canto, lá estava uma cabrita castanha e branca, muito assustada e indefesa. Enchi-me de coragem, saltei por cima das labaredas, atravessei o curral, peguei no animal e salvei-o. Foi muito emocionante!

    Quando regressei à casa da minha avó, fiquei muito contente ao ver que estava tudo são e salvo, particularmente os meus avós. Ficámos todos felizes, pois, unidos e em família, conseguimos salvar os bens!

Mariana Gonçalves, n.º 14, 7.ºA_Côja 

 

Passagem secreta

 

    Um dia, eu e os meus amigos fomos mergulhar. A Ambar não foi. Nesse dia, fomos ter ao ponto de encontro, à casa dos mergulhadores, equipámo-nos e apanhámos os barcos que nos levaram para longe da costa. Dividimo-nos em dois grupos: eu e Setuarte fomos para o sítio mais fundo, onde não se via nada. Acendemos as luzes do nosso equipamento e vimos peixes esquisitos, todos eles muito alegres e a dançar uma música muito estranha. Depois, vimos um ponto muito brilhante. Aproximámo-nos, quando fomos sugados por um vórtice. A violência da água era tanta que acabámos por desmaiar.

    Acordámos num sítio estranho, bizarro, onde havia gatos com cara de humanos, monstros assustadores e pássaros com corpos de animais aquáticos. Eu estava perdida, o Setuarte não estava ao pé de mim. Perguntei aos monstros que lugar era aquele. Eles grunhiram e levaram-me para junto do rei. Aí vi o Setuarte, sentado num trono com uma coroa na cabeça.

    Setuarte contou-me que os monstros, quando o viram cair do alto, pensaram que era um Deus e resolveram coroá-lo. Ali, ele era muito bem tratado, mas queria ver os seus pais.

    De repente, houve uma tempestade, as águas ficaram muito agitadas e turbulentas, formou-se uma duna enorme de areia que me transportou, a mim e ao meu amigo, até à superfície do mar.

Quando vimos os nossos amigos, contámos-lhes a nossa aventura, mas eles não acreditaram.

Ainda hoje penso no que aconteceu, pois foi uma aventura extraordinária.    

Joana Moura, 7.º A_Côja 

 

Um Natal

    Era uma vez um menino, órfão, que vivia muito triste. Morava sozinho e durante todos os Invernos, frios e rigorosos, do centro de Portugal, via outras crianças com as suas famílias, ao calor da lareira.

    Ainda se lembrava como era o Natal, antes dos seus pais morrerem.

    Lembrava-se das luzes que pareciam estrelas. Lembrava-se das lindas e perfeitas bolas que pareciam planetas. Lembrava-se, também, de ter a família reunida e dos apetitosos pratos que a sua mãe preparava.

    Agora, passava o Natal descalço sobre a geada. Um Natal sem luzes, sem bolas, sem presentes e, acima de tudo, sem família.

    Era a antevéspera do Natal e, a vila onde vivia estava muito bonita: toda enfeitada com as clássicas luzes de Natal, com as bolas, com um cheiro a comida que fazia “crescer água na boca”. E, acima de tudo, com muitas famílias que passeavam na rua, que cantavam e que desejavam um feliz Natal a toda a gente.

    O menino ficou tão emocionado com tudo isto que, quando ia para dormir, rezou a Deus por todas as pessoas do mundo. Nesse momento, surgiram os seus pais. Ele pensou que fosse tudo um sonho, mas não era.

    Assim, ele e os seus pais foram para casa. Começaram os preparativos: enfeitaram a casa, prepararam iguarias deliciosas e convidaram a família e os amigos. Foi uma noite linda e inesquecível...

O menino estava feliz… Finalmente, tinha-se livrado, para sempre, de estar só, de andar descalço ao frio e de se sentir triste e abandonado.         

Guilherme Correia, n.º 7 – 7.ºA_Côja